sábado, 21 de fevereiro de 2009

...À noite


Sinto a noite a avançar
A penumbra que se entranha
Réstias de mim que saem
Fico só, ninguém me acompanha.

Numa viagem que quero fazer
Ainda que sofra e me doa
Enceto o percurso, faço as malas
Embarco sem remos na canoa

Levanto a gola ao vento agreste
Da indiferença que me assola
Aperto-me na insensibilidade
Sem sentir o frio que me enrola

Busco a noite mais negra
De olhos fechados a vagar
Num sabor etéreo que me mente
Na busca que faço…devagar

As respostas nunca as encontro
Não as quero nunca encontrar
Nego-as como quem nega
A morte lenta e cínica a chegar.

Procuro caminhos sem rumo
Trilhos que ninguém percorreu
E chegado á encruzilhada

Encontro o caixão do meu eu

1 comentário:

  1. Um poema muito bem escrito e algo triste...
    Muito bom!

    Beijo Poeta

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