quinta-feira, 7 de maio de 2009

memórias


Sou um rapazinho com uma memória excelente, diria mais até portentosa. A minha mãe ainda hoje se admira das coisas que sou capaz de ir buscar ao baú das recordações. Fica pasmada por exemplo quando falo da primeira recordação de que me lembro, uma coisa do outro mundo, diz ela. Indo aos primórdios da minha existência tenho como primeira recordação ter ido a um piquenique com o meu pai, e vir com a minha mãe. Lembro com exactidão o tinto carrascão que o meu pai levou como parte operante nesse convívio que depois me deu uma azia tamanha que ainda hoje sofro dela.
Enquanto (quase) toda a gente só começa a ter recordações a partir dos 4-5 anos de idade, eu nessa altura já brincava aos médicos e enfermeiros com a Zé (Maria José – nome fictício porque a mocinha hoje é casada e mãe de filhos e o marido pode ficar chateado), lembro as borbulhas nas nádegas na hora em que lhe ia dar as picas (este tratamento era medicado para todas as maleitas que a mocinha se queixasse, fosse constipações ou diarreia), a cuequinha branca que afastava para meio das coxas da rapariguinha e sentia crescer em mim coisas que só muito depois fui capaz de explicar pese embora a minha inteligência avançada para a idade. Mesmo a mocinha que passados alguns anos era afoita a tratamentos desse tipo e nessa altura também ela detentora de uma excelente capacidade de interpretação não percebia essa minha elevação de espírito.
Lembro os beijos que a Rita me dava para me ensinar a beijar de língua (nome também fictício por motivos óbvios). A Rita era um pedaço mais velha que eu, já sabia o que fazia e decidiu ser minha professora nessa nobre arte de beijar e consequências tais. Ainda hoje me diz a rapariga que eu fui o melhor aluno dela. Entrevejo na memória desses instantes o decote generoso onde ela me metia a mão para me explicar como se apalpavam os dilectos úberes de que era possuidora. De como me impulsionava pelas ancas numa pura demonstração da nobre arte de cavalgar toda a sela.
Lembro a minha catequista da comunhão solene (ai, a Natália!) o quanto me martirizava os joelhos nas longas rezas que me punha a fazer, porque foi ela que me deu a conhecer a verdadeira noção do pecado, ainda hoje lhe agradeço por isso, lembro as mimosas amarelas no meio do monte e dos problemas que tínhamos em descobrir as cuecas dela (também amarelas) arrancadas no frisson e jogadas Deus sabe lá onde (estão a ver a importância do catecismo aqui?).
Já no colégio interno saltava os muros para ir ter com a Cristina, sábia na arte de se fazer santa e na arte do cavalgar. Essa mostrou-me como é bom por vezes ser passivo, entregar as rédeas e ser sela, cavalgadas em disparada…
Um dia…continuo… ( não queriam mais nada pois não?)

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